CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 373
A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:
I - se provier de esbulho, furto ou roubo;

II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;

III - se uma for de coisa não suscetível de penhora.


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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Ônus da Prova: Quem Precisa Provar o Quê no Processo Civil?

O artigo 373 do Código Civil estabelece as regras fundamentais sobre a distribuição do ônus da prova em um processo judicial. Em termos simples, ele determina qual das partes – o autor ou o réu – tem a responsabilidade de apresentar as evidências necessárias para provar os fatos alegados.

Quem Deve Provar o Quê?

O artigo divide o ônus da prova em duas situações principais:

  • O Autor Provam os Fatos Constitutivos: A regra geral é que o autor da ação (quem entra com o processo) tem o dever de provar os fatos que dão origem ao seu direito. Ou seja, ele precisa demonstrar que as circunstâncias que ele alega realmente aconteceram e que, por isso, ele tem direito ao que está pedindo. Por exemplo, se alguém processa outra pessoa por uma dívida, cabe ao autor provar a existência dessa dívida.

  • O Réu Provam os Fatos Impeditivos, Modificativos ou Extintivos: Já o réu (quem está sendo processado) tem a responsabilidade de provar os fatos que impedem, modificam ou extinguem o direito do autor.

    • Fatos Impeditivos: São aqueles que impedem que o direito do autor nasça. Por exemplo, o réu pode provar que a dívida já prescreveu, o que impede a cobrança.
    • Fatos Modificativos: São aqueles que alteram o direito do autor. Por exemplo, o réu pode alegar que pagou parte da dívida, modificando o valor total devido.
    • Fatos Extintivos: São aqueles que acabam com o direito do autor. Por exemplo, o réu pode apresentar um recibo de quitação, provando que a dívida foi completamente paga e, portanto, extinta.

Exceções e Adaptações

É importante notar que essa distribuição do ônus da prova não é imutável. O próprio artigo prevê situações em que essa regra pode ser alterada:

  • Inversão do Ônus da Prova: Em casos específicos, especialmente em relações de consumo onde há uma clara desigualdade entre as partes, o juiz pode determinar que o réu tenha o dever de provar determinados fatos. Isso ocorre quando o autor demonstra ter razão em suas alegações e quando a prova está mais acessível ao réu.

  • Produção de Provas: O artigo também esclarece que, quando os fatos alegados pelas partes sobre fatos genéricos são de difícil prova, o juiz pode determinar quem deve produzir a prova. Em outras palavras, se um fato for muito complicado de ser provado por qualquer uma das partes, o juiz pode intervir e decidir qual delas terá a obrigação de apresentar a evidência.

Por Que Essa Regra é Importante?

A correta aplicação do ônus da prova é fundamental para a justiça no processo. Ela garante que:

  • Ninguém seja condenado sem prova: A decisão judicial deve se basear em evidências concretas, e não em meras suposições.
  • O processo seja justo e equitativo: Ambas as partes têm a oportunidade de apresentar seus argumentos e prová-los.
  • Haja segurança jurídica: As partes sabem previamente quais são suas responsabilidades na produção de provas.

Em resumo, o artigo 373 do Código Civil estabelece uma distribuição lógica de quem deve apresentar as provas em um processo, garantindo que os direitos sejam defendidos com base em fatos comprovados.